Serão envolvidos 199 brigadistas no Amazonas e em MT; expectativa é de que os incêndios neste ano sejam intensos, tendo em vista os índices elevados de desmatamento

POR HELSON FRANÇA/OPAN

Em um cenário onde o desmatamento continua a bater recordes, brigadistas indígenas de combate aos incêndios florestais intensificam os trabalhos preventivos, como a queima prescrita e a criação de aceiros, que consiste na eliminação da vegetação rasteira para evitar que o fogo possa se espalhar.

As atividades visam reduzir o combustível acumulado, que é o material seco, antes do período crítico, que geralmente inicia-se a partir de agosto e segue até meados de novembro. Assim, pretende-se evitar futuros grandes incêndios.

A contratação dos brigadistas é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Devido à pandemia, a grande maioria das equipes que compõem as brigadas indígenas são formadas por pessoas que atuaram no ano anterior e que foram recontratadas.

No Amazonas, os trabalhos ocorrem desde o dia 14 de maio e envolvem 29 indígenas. As atividades acontecem na Terra Indígena Tenharim, em uma área de cobertura de aproximadamente 508 mil hectares.

Equipes da Operação Amazônia Nativa (OPAN) cooperam com a atuação dos brigadistas, por meio do melhoramento da estrutura e formação no campo tecnológico. Os indígenas passaram a contar com ferramentas de georreferenciamento, drones, computadores e quadriciclo.

Na avaliação do indigenista da OPAN, Magno Santos, as brigadas indígenas, além de serem fundamentais para a diminuição dos focos de incêndio nas florestas, proporcionam uma oportunidade de troca e enriquecimento de conhecimentos.

“Nota-se um interesse maior dos indígenas em participar e em organizar atividades e oficinas relacionadas à recuperação de áreas degradadas pelos incêndios, manejo do fogo e produção de mudas florestais e frutíferas nos territórios. É uma troca muito saudável”, observa. 

Em Mato Grosso, a partir desta terça-feira (1), serão envolvidos 170 indígenas, a serem distribuídos por 12 brigadas, que atuarão nos seguintes territórios: Bakairi, Utiariti, Paresi, Juininha, Irantxe, Menkü, Marãiwatsédé, Wawi e Parque Indígena do Xingu. Os brigadistas atuarão no combate aos focos de incêndio até o final do ano.

De acordo com Amaury Tenharim, coordenador das brigadas indígenas na região amazônica, as queimadas prescritas seguem apenas até o dia 20 de junho. “Após essa data, devido à baixa umidade do ar, há que se evitar essa técnica, devido ao risco de o fogo se expandir de forma descontrolada”, explicou.

Segundo Amaury, a expectativa é de que os incêndios neste ano sejam intensos, tendo em vista os índices elevados de desmatamento. Em abril, os alertas de desmatamento do Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) totalizaram mais de 580 quilômetros quadrados de destruição na floresta amazônica, um aumento de quase 43% na devastação em relação ao mesmo mês em 2020, que registrou cerca de 406 quilômetros quadrados de desmate.

Desde 2018, há crescimentos constantes do desmatamento na Amazônia. O processo, porém, acentuou-se sob o governo de Jair Bolsonaro. No primeiro ano de governo do atual presidente, a devastação da floresta cresceu 34%. No segundo, 9,5%. Os valores anuais de desmate já passam dos 11 mil quilômetros quadrados, segundo dados do Prodes, projeto também sob a responsabilidade do INPE.

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