Nascer de novo, começar outra vez
Diversas são as formas que construímos, coletivamente, para ser e estar no mundo. Das celebrações às lutas, ao longo de 2025 foram muitas.

Logo no início do ano, o Marco Temporal — a pauta sobre direitos indígenas mais decisiva para os povos desde a Constituinte — já fazia sentir seus efeitos sombrios. Ainda assim, a resistência seguiu firme. Ao longo de todo o ano, junto aos parceiros aliados na luta, o movimento indígena ocupou a esfera jurídica com presença marcante, levando não apenas argumentos legais, mas também suas vivências, ancestralidade e a relação indissociável com a terra como fundamentos de direito.
No enfrentamento às mudanças climáticas, os povos da floresta, das águas, do campo e das cidades reafirmaram seu protagonismo com o lema “A Resposta Somos Nós”. A COP Parente, promovida pelo Ministério dos Povos Indígenas em parceria com organizações indígenas e apoio de parceiros, mobilizou lideranças em todo o país e contribuiu para a maior participação indígena da história em uma conferência climática, durante a COP30. As 29 decisões consensuais adotadas na conferência, que incluíram avanços em temas como transição justa, financiamento e gênero, refletem os resultados positivos dessa ampla articulação.
A demarcação e a proteção dos territórios seguiram como a principal meta defendida pelos povos indígenas, “condição a partir da qual nossas demais demandas são derivadas”, como afirma a NDC dos Povos Indígenas do Brasil. Em resposta a lutas históricas, o governo brasileiro anunciou avanços em diversos processos de demarcação e regularização territorial, incluindo as homologações das Terras Indígenas Kaxuyana-Tunayana, Manoki, Estação Parecis e Uirapuru.
No chão dos territórios indígenas, extrativistas e ribeirinhos, redes e coletivos fortaleceram a organização social e a gestão territorial. Sistemas de produção multifuncionais seguiram sendo manejados de forma integrada, unindo produção e conservação, sem interromper o funcionamento dos ecossistemas, e resistindo diante das pressões.
Recentemente, ao ser questionada por jornalistas, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou não ser nem otimista, nem pessimista, mas “insistente”. Citando a filósofa Hannah Arendt, lembrou: “Não nascemos para morrer, mas para começar o novo.”
Que em 2026 sigamos juntas e juntos, insistindo, novamente, na construção de um mundo mais justo, solidário e amoroso.
Desejamos boas festas e um próspero Ano Novo!
Com afeto,
Equipe OPAN.