Começa a nova fase do Raízes do Purus
Iniciativa completa 13 anos de atuação juntos aos povos indígenas no Amazonas e inicia nova etapa
Por Talita Oliveira | OPAN
Após 13 anos de presença contínua no sul e sudoeste do Amazonas, o projeto Raízes do Purus inicia uma nova fase. Desenvolvido pela Operação Amazônia Nativa (OPAN) em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto consolidou-se ao longo desse período como uma ferramenta estratégica de apoio às iniciativas protagonizadas por povos indígenas na gestão de seus territórios.

Os resultados construídos nesse percurso extrapolam os limites das Terras Indígenas. As ações desenvolvidas vêm contribuindo para a conservação da biodiversidade amazônica, a manutenção dos serviços ecossistêmicos e o fortalecimento de modos de vida dos povos que historicamente mantêm a floresta em pé. “As ações do projeto seguem uma linha lógica de apoio e fortalecimento das estruturas de sistemas produtivos sustentáveis, baseados em atividades tradicionais, e no fortalecimento das organizações de base representativas destes territórios, buscando a garantia de direitos frente às políticas públicas”, explica Felipe Rossoni, indigenista da OPAN e coordenador do projeto.
A nova etapa, iniciada em novembro de 2025 e com vigência até 2028, marca o início da quarta fase do projeto. Essa etapa é resultado de um processo aprofundado de avaliação e reflexão coletiva, realizado após a conclusão de três ciclos anteriores. A equipe de indigenistas da OPAN revisitou as experiências acumuladas ao longo dessas fases, analisou os novos contextos regionais e, sobretudo, priorizou a escuta qualificada dos povos Apurinã, Banawá, Deni, Jamamadi, Kanamari e Paumari.
“As ações e as atividades propostas em todos os ciclos do Raízes se deram a partir das demandas dos territórios. Esse diálogo garante que os próximos passos do projeto estejam alinhados às prioridades, aos desafios e às perspectivas desses povos”, avalia Felipe.
Novos caminhos
A área de atuação do projeto foi ampliada, passando de 2,3 milhões de hectares na fase anterior para 3,1 milhões de hectares nesta nova etapa. A expansão ocorre com a inclusão das Terras Indígenas dos povos Banawá no rio Purus e Kanamari do rio Juruá. Embora já participassem de ações pontuais na terceira fase do projeto, esses povos passam agora a contar com um conjunto estruturado de atividades voltadas às suas necessidades específicas, incluindo o fortalecimento de cadeias produtivas, assessoria técnica para aprimoramento dos processos de gestão territorial e iniciativas direcionadas ao fortalecimento da organização social.
Além da ampliação territorial, frentes de trabalho que vinham sendo desenvolvidas de forma indireta passam a integrar formalmente a estrutura do projeto. É o caso do fortalecimento da educação escolar indígena e da ampliação da participação das mulheres indígenas nos processos de gestão territorial, temas que emergiram como desdobramentos do fortalecimento da organização social apoiado nas etapas anteriores.
“Na nova proposta do Raízes está prevista a conclusão do Projeto Político Pedagógico (PPP) do povo Paumari, dando continuidade às reuniões e diálogos que foram iniciados ainda em 2024. Esse documento é a base que dará subsídios para que o povo possa fazer as incidências nos conselhos de educação e na administração pública. Também estão previstos o apoio a produção de materiais didáticos que serão usados nas escolas indígenas Paumari”, explica Tainara Proença, indigenista da OPAN.
Fortalecimento das mulheres e dos instrumentos de gestão dos território
No eixo de gênero, será realizado um diagnóstico com o objetivo de compreender a perspectiva das mulheres Paumari sobre o trabalho que desenvolvem, tanto no contexto do grupo de artesanato quanto no manejo do pirarucu e em suas trajetórias pessoais. A iniciativa busca identificar elementos centrais que contribuam para fortalecer um caminho já em construção: o da organização coletiva das mulheres.
“A ideia é desenvolver instrumentos e traçar os objetivos junto com elas, entender onde elas querem chegar e como podemos apoiar, para que elas possam se organizar cada vez mais e seguir os caminhos que avaliem ser importantes enquanto coletivo”, avalia Tainara.
A atualização dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), bem como de outros instrumentos de gestão, constitui outro eixo estruturante desta quarta fase do projeto. “Entendemos que o processo de revisão desses documentos leva a discussões amplas que são importantes nos territórios. É um grande exercício para os povos, que evidencia e estrutura melhores estratégias a partir da leitura que vêm fazendo de seus próprios processos, em seus territórios, ao longo dos anos”, explica Felipe.