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Cantemos o Juruena

Por: Andreia Fanzeres
II Festival Juruena Vivo ter vasta programao cultural em homenagem integridade da bacia.

I Festival Juruena Vivo, realizado em Cotriguau-MT, em novembro de 2014.
Foto de Thiago Foresti

Juína, MT – Centenas de pessoas, entre agricultores familiares, indígenas e representantes da sociedade civil dos municípios do norte e noroeste de Mato Grosso, são esperadas na próxima sexta-feira em Juína, a 750 quilômetros de Cuiabá, para uma agenda de palestras e atividades culturais voltadas à reflexão sobre a integridade do rio Juruena no desenvolvimento regional. O II Festival Juruena Vivo, realizado pela Secretaria de Educação e Cultura de Juína e pelo coletivo Rede Juruena Vivo, inclui mostra de vídeos, feira de produtos da agricultura familiar e arte indígena, exposição fotográfica, festival da canção e um show de encerramento com o violeiro de destaque nacional, Victor Batista. Tudo de graça.

Este é o II Festival Juruena Vivo. O primeiro aconteceu em novembro de 2014 na Fazenda São Nicolau, administrada pela ONF Brasil, no município de Cotriguaçu. Naquela ocasião, foram discutidas experiências de gestão territorial e informações sobre licenciamento ambiental, propiciando, sobretudo, a oportunidade de diálogo entre os diversos habitantes da região. “Nossa intenção é levar informação e favorecer a união de pessoas que vivem em diversos locais da bacia do Juruena, e que a cada ano um município se habilite a sediar este importante evento, que tende a se tornar tradição”, diz Andrea Jakubaszko, da comissão organizadora do I e do II Festival Juruena Vivo.

“A prefeitura de Juína, através da Secretaria de Educação e Cultura, se envolveu no Festival Juruena Vivo por acreditar o projeto interessante, contribuindo para o desenvolvimento social da população do Vale do Juruena”, diz o secretário da pasta, Ericson Leandro. “Estamos atendendo artesãos e ribeirinhos da região, além de levar a cultura mato-grossense para o município de Juína e região”.

O município, que este ano não pôde realizar o Festival da Canção de Juína (Fescaju), resolveu investir no II Festival Juruena Vivo, que terá também seu concurso musical. Com premiação para quem cantar as melhores músicas que falem da importância da bacia do Juruena, a ideia é sensibilizar a população para os usos dos rios da região, que drena 70% do estado de Mato Grosso e forma o majestoso Tapajós.

O rio Juruena, cujo acesso fica a cerca de 60 quilômetros da sede municipal de Juína, atrai centenas de pessoas todos os anos para o Festival de Pesca de Fontanillas no mês de setembro. “O rio é bastante procurado também para lazer, especialmente em uma ilha bastante frequentada aos sábados e domingos. E para a sobrevivência de ribeirinhos e indígenas, que fazem produtos artesanais a partir de frutos que ficam nas margens do rio e utilizam o Juruena como rota de transporte e caminho para a escola”, diz Ericson Leandro, da Secretaria de Educação e Cultura de Juína.

História e vida no Juruena

Em toda a bacia vivem cerca de 500 mil pessoas. Há 38 assentamentos, 11 povos indígenas em 20 territórios tradicionais reconhecidos, além de uma rica biodiversidade que abrange muitas espécies endêmicas, especialmente nas cachoeiras, e áreas chamadas de hot spots, ou seja, importantíssimas para a conservação da natureza. Entretanto, além de ameaças concretas à região como a contaminação por agrotóxicos e o desmatamento, a bacia do Juruena tem pelo menos 102 projetos de hidrelétricas, entre as que já estão em funcionamento, em construção e outras que ainda não saíram do papel.

De acordo com o planejamento energético do governo federal, o distrito de Fontanillas, que pertence à Juína, poderá ficar debaixo d’água se as hidrelétricas no Médio rio Juruena forem erguidas. “Fontanillas possui um ambiente frágil, em sua maioria composto por solo rochoso, sendo que qualquer alagamento seria catastrófico, uma vez que a água não tem para onde escoar ou infiltrar”, explica Cleiton Silvestrim, presidente da Associação de Moradores de Fontanillas. O distrito faz parte da história da região noroeste, porto de chegada dos colonizadores e local de construção da primeira escola do município. “A população tem uma relação direta com o rio, inclusive para lavar roupa e abastecer as casas com água, além dos povos ribeirinhos, pescadores e agricultores em seu entorno”, continua Silvestrim.

Diversas organizações e coletivos da região já vinham sentindo a necessidade de ampliar o debate sobre o desenvolvimento regional considerando o rio Juruena íntegro. Por este motivo, resolveram formar a Rede Juruena Vivo. “Com o Festival, a população é chamada a conhecer e reconhecer os potenciais do rio Juruena, refletir sobre a vida existente e valorizar cada vez mais. Inclusive, abre oportunidade aos interessados de discutir junto aos assentados, ribeirinhos, indígenas, técnicos, educadores, reunidos na Rede Juruena, melhorias que rumam para a construção de um futuro sustentável para a região”, afirma Liliane Xavier, militante no coletivo AACUARELA, que compõe a Rede Juruena Vivo.

Esta rede vem crescendo a cada ano como um espaço de trocas de informações, formação de pessoas conscientes e questionadoras sobre seus direitos coletivos e individuais. Segundo Silvestrim, ela pode contribuir também no auxílio à execução de propostas que valorizem as populações tradicionais e a manutenção do homem no campo. “Podemos tomar por base o potencial turístico local que vem sendo explorado de forma desorganizada e desordenada ‘com baixa consciência socioambiental’. Seria muito importante para a população local organizar o setor turístico como forma de valorização local”, opina o presidente da Associação de Moradores de Fontanillas.

“Nossa preocupação é levantar a importância deste rio que já contribuiu para a nossa colonização e a valorização da região pela questão cultural. Vamos deixar a sociedade falar e conversar. Esta é a forma que o município encontrou para chamar a atenção do rio e deixar a população decidir”, completa Leandro, da Secretaria de Educação e Cultura de Juína.

Serviço:   

Data: 9/10/2015, sexta-feira
Local: Casa de Retiro da Diocese de Juína

19h40 – Abertura: Painel com especialistas e convidados sobre recursos hídricos e desenvolvimento sustentável.

20h – Daniel Rondinelli Roquetti (USP)

20h30 – Francisco Machado (UFMT/MPE)

21h – Ivo Poletto (Campanha Nacional Energia para a Vida)

21h30 às 23h – Diálogo com o público.

Agenda cultural
10/10/2015, sábado
Local: Centro de Eventos de Juína

- A partir das 16h30 Exposição Fotográfica das Águas

- A partir das 17h Feira Livre e Mostra de Vídeos

- 20h Festival da Canção

- 22h Show de encerramento com o violeiro Victor Batista – Show Recital do Violeiro

Mais informações: www.redejuruenavivo.com

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