Audiência Pública no ATL-MT 2026: “Mato Grosso é Terra Indígena”
Evento foi realizado na Universidade Federal de Mato Grosso e reuniu lideranças de diversos povos
Nesta terça-feira (12), foi realizada uma audiência pública pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) durante a 4ª edição do Acampamento Terra Livre Mato Grosso (ATL-MT), que acontece no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Com o tema ‘Mato Grosso é Terra Indígena’, o evento reuniu lideranças de diferentes povos, parlamentares e autoridades para discutir a urgência da demarcação e a sobrevivência física e cultural das comunidades.

Genivaldo Xawapareymi Apyawa, do povo Tapirapé, expressou a angústia das comunidades que, apesar do apoio político ao governo federal, ainda aguardam um diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele destacou que a reivindicação para serem ouvidos não é apenas política, mas uma necessidade de sobrevivência, já que muitos povos se sentem ameaçados em meio ao avanço de interesses externos sobre suas terras.
A situação ambiental foi um ponto central de sua fala, descrevendo um cenário onde os povos indígenas se encontram cercados pelo agronegócio. “Para que a gente possa praticar a nossa cultura a gente precisa de queixada, a gente precisa de peixe, a gente precisa dos animais. E esses animais estão indo embora. Hoje nós estamos encurralados… é triste essa situação”, disse na audiência.
Ao encerrar, o líder enfatizou que o voto indígena é um ato de confiança em melhorias reais. Ele reiterou que sua mensagem reflete o sentimento coletivo dos povos de Mato Grosso, que acreditam em representantes comprometidos em garantir que as futuras gerações possam continuar praticando sua cultura.
Representatividade
A presidência da mesa, ocupada pela deputada estadual Eliane Xunakalo (PT), simbolizou um marco na história do legislativo estadual. A parlamentar destacou a importância de ocupar esses espaços para garantir que as demandas das bases sejam ouvidas.

“A primeira coisa que nós precisamos fazer é ser os olhos, a voz e os ouvidos de quem está lá no território. Porque é assim que se faz e que se cresce. Estive e estou na Assembleia e a gente percebe o quanto é árdua a luta de um deputado que defende melhorias para o seu povo e o quanto é difícil defender as pautas ambientais”, disse Eliane, primeira mulher indígena deputada estadual no país.
Tipuici Manoki, liderança do povo Manoki, apresentou dados alarmantes sobre o impacto de grandes empreendimentos no Noroeste do estado. Citando estudos da Operação Amazônia Nativa (OPAN), ela denunciou a pressão de hidrelétricas e mineradoras na Bacia do Juruena.
“Hoje temos mais de 181 hidrelétricas — entre CGHs, PCHs e usinas — dentro e fora de nossos territórios. Na bacia do Juruena, já são mais de 1.200 lavras de mineração com pedidos de entrada nas terras indígenas”.

Além das denúncias, Tipuici pautou a necessidade de discutir geração de renda com responsabilidade ambiental, argumentando que a autonomia financeira é essencial para o fortalecimento da resistência política. “Precisamos de um debate sério sobre geração de renda. É necessário pensar espaços onde possamos trabalhar com responsabilidade ambiental”, pontuou.
O ATL Mato Grosso segue com programação até esta quarta-feira (13). Além do debate político, o acampamento convida a sociedade a conhecer as tradições originárias por meio de exposições de artesanato, apresentações culturais e vivências espirituais.
O último dia será dedicado a discussões técnicas sobre o Zoneamento Socioeconômico Ecológico (ZSEE/MT) pela manhã, seguidas por debates sobre Saúde Indígena e o planejamento para as Eleições 2026 no período da tarde.