23 de maio de 2014

Por: Ximena Morales Leiva/OPAN Lábrea, AM – Pouco a pouco, o povo Apurinã da Terra Indígena Caititu engaja-se ainda mais na produção de sistemas agroflorestais (SAF). As espécies de plantas e as árvores cultivadas em dezembro de 2013 estão dando seus primeiros sinais de crescimento nos canteiros das aldeias Novo Paraíso, Nova Esperança 2, Tucumã e […]

Por: Ximena Morales Leiva/OPAN

Lábrea, AM – Pouco a pouco, o povo Apurinã da Terra Indígena Caititu engaja-se ainda mais na produção de sistemas agroflorestais (SAF). As espécies de plantas e as árvores cultivadas em dezembro de 2013 estão dando seus primeiros sinais de crescimento nos canteiros das aldeias Novo Paraíso, Nova Esperança 2, Tucumã e Idecorá. Segundo o indígena Antônio Pinoca, “no começo estava com dúvidas em relação à forma de preparar a terra mas agora, com o passar dos meses, estou vendo os resultados pois as plantas estão crescendo mais bonitas.”

Em condições normais, são necessários de 100 a 400 anos para se formar um centímetro de terra preta, onde ficam localizados todos os nutrientes do solo. Ao lançar mão de canteiros agroflorestais, é possível promover a formação de três centímetros por ano. E é a este componente natural que se deve o desenvolvimento vistoso e rápido dos roçados apurinã. Em 40 anos, especialistas acreditam que é viável consolidar uma área bem florestada. Sem o uso dessa técnica, leva-se um século para alcançar o mesmo resultado.

Os indígenas da Idecorá relataram que o grupo está motivado e tem se reunido todos os sábados desde o fim do ano passado. Chegaram a abrir mais cinco canteiros coletivos de 1,20 m por 1,00 m.

A aldeia Nova Esperança II está seguindo o mesmo caminho da Idecorá, ampliando área inicial com mais quatro canteiros. Já a comunidade Novo Paraíso roçou mais seis canteiros por meio de um sistema de mutirão, que contou com a participação ativa das mulheres. Eles começaram a semear açaí, fruto muito apreciado em toda Amazônia.

Foi acordado entre os indígenas que os SAFs seriam acompanhados com apoio da equipe da OPAN, que executa junto aos Apurinã o Projeto Raízes do Purus, patrocinado pela Petrobras.

Por isso, desde o início do ano, realizam-se visitas de monitoramento em todas as aldeias. Na Nova Esperança II os canteiros foram cobertos com matéria orgânica e também abertos canais para dar vazante água de dentro da área do SAF. Foi feito, ainda, o desbaste dos brotos ladrões (galhos novos das mudas de laranja, limão e tangerina) e a formação de mais um canteiro florestal na nova área de terra firme.

Nas aldeias Idecorá e Novo Paraíso foi feito o roçado entre os canteiros com cobertura de matéria orgânica – medida adotada para manter a umidade e que traz muitos benefícios para a plantação. Além disso, o grupo picotou galhos e retirou matéria orgânica dos caules das mudas. Os indígenas fizeram, ainda, a rolagem de troncos para cobertura lateral dos canteiros, assim como o desbaste das mudas de laranja, limão e tangerina. Como a – aldeia Tucumã está mais envolvida com as atividades de quebra da castanha, por lá o trabalho foi de replantio e desbaste de mudas.

Os viveiros serão construídos entre julho e agosto, a fim de que sejam semeadas mudas frutíferas com o intuito de enriquecer ainda mais os SAFs. Os Apurinã se responsabilizaram por resgatar espécies tradicionais florestais e plantá-las nesses novos canteiros.

Para dar continuidade aos cuidados com estas áreas recém-cultivadas, 15 indígenas das quatro comunidades têm se dedicado a contribuir com os mutirões mensais. Está previsto para outubro um encontro sobre SAFs para reunir os envolvidos e convidados, com a presença de um consultor especialista no assunto. A ideia do encontro é discutir os avanços e desafios com os produtores.

Projeto Raízes do Purus

O projeto Raízes do Purus é uma iniciativa da OPANcom patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental, que visa contribuir para a conservação da biodiversidade no sudoeste do Amazonas por meio do fortalecimento de iniciativas que promovam a gestão e o uso sustentável dos recursos naturais das Terras Indígenas (TI) Jarawara/Jamamadi/Kanamanti e TI Caititu, em Lábrea, e TIs Paumari do Lago Manissuã, Paumari do Lago Paricá e Paumari do Cuniuá, em Tapauá.

OPAN

A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas no Amazonas e em Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e no fortalecimento das culturas indígenas.

 

 

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