19 de outubro de 2021

Material reúne dados, reflexões, tira-dúvidas e um guia de fontes para apoiar comunicadores na produção de conteúdos relacionados aos povos tradicionais e assuntos socioambientais

Mato Grosso não é apenas agronegócio, a pauta socioambiental não é só verde, indígenas não são todos iguais. Qual outro deslize semântico e conceitual temos cometido por aí e, com isso, fortalecendo preconceitos e alimentando uma guerra de narrativas que alija cada vez mais as minorias? É com essa provocação que a Operação Amazônia Nativa (OPAN) disponibiliza o Guia Socioambiental da Imprensa, um assertivo material que propõe reflexões iniciais àqueles que lidam com a informação pública e produzem conteúdos que serão lidos, vistos ou ouvidos por muitos cidadãos.

O público-alvo do guia são os jornalistas e os produtores de conteúdo que atuam em Mato Grosso. É notório que o impacto financeiro do agronegócio atrai a maioria dos olhares da imprensa para a atividade econômica. No entanto, o estado é bem mais do que isso. Mato Grosso reúne, por exemplo, 43 povos indígenas dos 305 existentes no país. Ainda, segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), são 68 Terras Indígenas regularizadas e outras 722 registradas em diferentes estágios de demarcação no estado. O território mato-grossense abriga gigantescas sub-bacias hidrográficas, como a do Juruena e a do Teles Pires. Enfim, Mato Grosso está longe de ser apenas um produtor de commodities.

Essa riqueza ambiental e cultural imensurável precisa e merece ser difundida. E no processo da divulgação de conteúdos, há os que são produtores e os que são fontes de consulta. “Compreender e dar visibilidade à diversidade socioambiental no estado é uma postura responsável e ética. Esta diversidade se conecta a bens e serviços ambientais fundamentais para o conforto climático, oferta e disponibilidade de recursos hídricos e a segurança alimentar, por exemplo. Informações como estas podem ser acessadas diretamente, junto aos atores sociais que estão desenvolvendo e participando de estudos e a produção de conteúdos”, destaca a coordenadora do Programa Mato Grosso, Artema Lima.  

Assim, o objetivo desse Guia Socioambiental é reunir um pouco das experiências das fontes primárias e dos pesquisadores em uma coletânea de análises sobre os grupos sociais do estado, o conjunto de riquezas naturais e a articulação dessas agendas com a sociedade.

É objetivo desse guia, ainda, convidar para a reflexão sobre narrativas já cristalizadas que reforçam o preconceito contra os povos indígenas. Uma das principais descrições distorcidas versa sobre o modo como as comunidades se inserem ou não no mercado econômico tradicional. O guia traz exemplos de experiências bem-sucedidas, histórias que mostram como os povos conseguem gerar renda atuando de acordo com seus costumes.

O material produzido pela OPAN pontua também importantes marcos legais que trouxeram avanços para a garantia dos direitos dos povos indígenas. Muitas das alterações legislativas foram conquistadas graças a firmes mobilizações de grupos sociais, muitos deles a partir do solo mato-grossense. “Pensar e representar o estado de Mato Grosso como potência econômica para a infraestrutura e o agronegócio enquanto premissa para as abordagens jornalísticas pode até ser uma escolha editorial. Passa a ser um equívoco, entretanto, manter na invisibilidade todo o peso histórico, cultural e ambiental que as comunidades tradicionais e os povos indígenas trazem ao caldo social mato-grossense”, afirma Andreia Fanzeres, coordenadora do Programa de Direitos Humanos da OPAN.

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