O trabalho de conclusão de mestrado analisa os mecanismos de implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), sobretudo os Instrumentos de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (IGATIs), historiciza a construção desta política e sua aproximação com o campo climático. A partir da indagação sobre se há nos IGATIs questões associadas às mudanças climáticas nos dias de hoje, o estudo foi orientado à investigação do conteúdo desses documentos, que registram o modo como as comunidades planejam e realizam a gestão em seus territórios.
Para isso, debruçou-se sobre 61 IGATIs pertencentes ao acervo da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), elaborados entre 2007 e 2022. Foram encontrados elementos que indicam características implícitas de expressar preocupações e propostas dos povos indígenas vinculadas às mudanças climáticas, em linha com ações de adaptação elencadas no processo de revisão do Plano Clima.
Os resultados indicam que os IGATIs podem ser considerados instrumentos climáticos. Reconhece-se também sua importância enquanto fonte de informação diferenciada para a construção de políticas públicas, reforçando a necessidade do olhar intercultural para a processos de elaboração ou atualização desses instrumentos.