13 de outubro de 2014

  Lideranças xavantes se reuniram no dia 18 de setembro para avançar no planejamento da elaboração do plano de gestão do território indígena Marãiwatsédé, que, após 40 anos de resistência e luta, foi reconquistado e desobstruído. “O plano de gestão é fundamental para que a comunidade xavante se oriente sobre as suas prioridades quanto ao […]

 

Lideranças xavantes se reuniram no dia 18 de setembro para avançar no planejamento da elaboração do plano de gestão do território indígena Marãiwatsédé, que, após 40 anos de resistência e luta, foi reconquistado e desobstruído.

“O plano de gestão é fundamental para que a comunidade xavante se oriente sobre as suas prioridades quanto ao uso e à ocupação de seu território tradicional”, explica a bióloga Artema Lima, coordenadora do Programa Mato Grosso pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), que apoia a iniciativa.

“Com o apoio do PDPI (Programa Demonstrativo dos Povos Indígenas), este ano conseguimos facilitar a elaboração da primeira etapa do plano de gestão, promovendo expedições a locais estratégicos e oficinas participativas de etnomapeamento e elaboração de calendários sazonais”, explica Artema Lima.

O cacique de Marãiwatsédé, Damião Paridzané, alertou para a importância de envolver os jovens nesse processo de elaboração do plano de gestão territorial e ambiental da área, para que eles compreendam a necessidade de manter o manejo sustentável dos recursos naturais e se apropriem efetivamente da terra que é deles. Para Damião, esse plano de gestão deve ser um instrumento de reflexão sobre o futuro que os xavantes querem para si.

Na reunião de setembro, foram formados grupos de trabalho para levantar as necessidades da comunidade, e todas elas devem constar no plano de gestão. Ao final dos trabalhos, o diretor da Escola Estadual Indígena Marãiwatsédé, Cosme Rité, que ajudou a coordenar a reunião, destacou que os indígenas querem de volta a fartura das frutas tradicionais, como pequi, jatobá, caju, murici, mangaba, bocaiúva, bacaba, jenipapo entre outras. Querem também aumentar as mudas e roças de inhame, cará, milho e feijão xavante e outras espécies nativas. Outra sugestão levantada é o fortalecimento, enriquecimento e diversificação de áreas onde hoje só tem pastagem.

O indigenista da OPAN, Marco Túlio Ferreira, que atua em Marãiwatsédé, destaca que o território tem 165 mil hectares, mas é a terra indígena mais desmatada da Amazônia Legal. Recuperar esta área é um dos grandes desafios imediatos dos cerca de mil xavantes, que vivem lá, por causa das queimadas constantes. O indigenista destaca também que é outro grande desafio impedir invasões na área.

Após a desintrusão de Marãiwatsédé, que aprofundou a tensão entre os xavantes e os ocupantes retirados da área, o clima de hostilidade na região tem se refreado. Os xavantes acreditam que este é o momento de consolidar a ocupação definitiva.

 

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