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Arapaima

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Aprimorando prticas sustentveis

Por: Dafne Spolti/OPAN
Povo Katukina melhora a qualidade do seu leo de copaba.

Oficina prtica na aldeia Terra Alta (Surucucu). Foto: Dafne Spolti/OPAN.

Jutaí (AM) – Com o tradicional bom humor, homens, mulheres e crianças seguiam de chalana com a equipe da Operação Amazônia Nativa (OPAN), levando panelas de farinha, banana, e até dois cachorros rumo às árvores de copaíba durante a oficina de boas práticas extrativistas, realizada em novembro, na Terra Indígena Rio Biá, por meio do projeto “Arapaima: redes produtivas”, executado com recursos do Fundo Amazônia. No tempo em que ficaram na mata, os Katukina lembraram das lições passadas no dia anterior, aplicando-as durante a atividade prática para ter um óleo de qualidade e manter a saúde da floresta.

Na oficina, o indigenista Diogo Henrique Giroto, explicou e mostrou por meio de vídeos que a extração deve ser feita em árvores com circunferência mínima de 1,20 metros e que o furo realizado com o trado, precisa estar a uma distância de pelo menos 1,30 metros do solo. Também ensinou sobre a vedação correta da árvore com o torno, para impedir que o local furado seja um caminho para insetos, bactérias e fungos prejudicarem a árvore. “Manejo nada mais é do que fazer de um jeito que sempre tenha”, explicou, reforçando o motivo das boas práticas aos Katukina.

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Árvore de copaíba com torno. Foto: Dafne Spolti/OPAN.

Além de visar a conservação, a oficina tratou das práticas para a qualidade do óleo. Diogo destacou principalmente a necessidade do recipiente ser específico para copaíba e de nunca ser usado para guardar outros produtos. Ensinou que apenas armazenando a copaíba em local escuro são mantidas suas propriedades e que é importante separar os óleos de diferentes tipos por cor, explicando que os mais claros são utilizados como produtos medicinais e os mais escuros para vernizes e cosméticos. Outra importante lição foi a filtragem do óleo. O processo, simples, melhora muito o produto e de agora em diante será adotado pelos Katukina, como falou o cacique da aldeia Sororoca, Marin Katukina, também conhecido como Lazinho.

Com a melhoria da qualidade, os Katukina poderão ter um aumento financeiro no litro do óleo de copaíba, passando de 20 a 25 reais no mercado regional. “O quanto eles produzirem a gente adquire”, reforçou um comprador local, mostrando a boa saída do produto. Apesar disso ser positivo, o coordenador do projeto Arapaima, Vinicius Benites Alves, acredita que os Katukina podem ter ainda mais sucesso vendendo a copaíba em pequenos frascos para uso doméstico no município de Jutaí, além de buscar um mercado formal especializado que possa absorver o produto numa escala maior.

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Copaíba durante oficina da aldeia Boca do Biá. Foto: Rodrigo Tawada/OPAN.

O objetivo das oficinas é contribuir para a geração de renda e a autonomia de compra dos Katukina, mas a ideia é que isso seja integrado a outras atividades – roçado, vigilância territorial, caça, pesca, coleta de sementes etc. – já desenvolvidas por eles, de forma que mantenham seus costumes. Para os Katukina, é assim mesmo que funciona, como mostraram durante as oficinas. Na aldeia Sororoca aproveitaram o momento da aula prática para extrair viga para as casas, fibras e palmeiras para utensílios artesanais e ainda caçaram animais para alimentação de sua comunidade. O mesmo ocorreu nas oficinas da aldeia Janela, onde voltaram com copaíba no galão e carne de paca a ser dividida entre todos. “A gente não quer que eles percam suas características culturais que tanto prezam”, enfatizou o coordenador do projeto Arapaima.

Durante o trabalho com a copaíba também foram tratadas por meio de vídeo as boas práticas para a extração de cipó-titica, com o que produzem muitas vassouras – uma das atividades que mais gostam de realizar – e foram entregues materiais para cozimento de breu de sorva, utilizado para calafetar (realizar a vedação) embarcações. Esses produtos já são trabalhados pelos Katukina e têm os melhores preços e absorção no mercado de Jutaí.

Só dá certo com organização

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Oficina de copaíba na aldeia Gato. Foto: Dafne Spolti/OPAN.

Nas oficinas de extração de copaíba, o indigenista Diogo Henrique Giroto enfatizou aos Katukina a organização que é necessária para realizarem a atividade, desde a preparação para extrair o óleo até a comercialização. Falou que é importante levarem consigo os materiais – galão, trado e lima – quando forem a alguma região distante para aproveitar a viagem e fazer a extração. Também destacou que é importante se articularem para comercializar o produto conseguindo os melhores ganhos: “Se uma pessoa tirar uma ou duas garrafas de copaíba, não vai compensar pagar a gasolina e ir vender sozinho lá em Jutaí. Então tem que juntar a produção de um grupo e comercializar em conjunto pois todos ajudam nos gastos de transporte”, concluiu.

Contatos com a imprensa

Dafne Spolti

dafne@amazonianativa.org.br

(65) 3322-2980 / 9 9223-2494

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