Myky

 

Os Myky tradicionalmente  habitam as áreas de cabeceiras dos rios pertencentes às sub-bacias do Sangue, Membeca, Juruena e Papagaio, formadores do rio Tajapós, em Mato Grosso. Mantiveram-se em rotas de fuga permanente no interior das suas terras de ocupação tradicional, receosos e arredios ao contato durante quase todo o século XX. 

Este receio era decorrente da trágica depopulação vivida na metade do século. Foram dizimados por violentos massacres de seringueiros, registrados por Marechal Rondon em 1910, sofrendo os impactos diretos gerados pelas frentes pioneiras de expansão. Em um efeito dominó, a disputa por espaços, terras e recursos naturais deflagrou a intensificação dos conflitos interétnicos. Mortandade, fugas e dispersões passam a descrever a realidade do cotidiano vivenciado pelos Myky por quase duas décadas (dos anos 40 aos anos 60).

Relatam seqüestros e ataques, além dos óbitos resultantes de febres e doenças até então desconhecidas: sarampo, gripe e varíola. Estima-se que os Myky tenham sido reduzidos a apenas nove pessoas no final da década de 50. 

Hoje os Myky vivem juntos numa única aldeia e mantêm cultivos tradicionais em grandes roças comunitárias e familiares. São também extrativistas, caçam e pescam. Os cerimoniais estão associados à distribuição e consumo de alimentos, além de ritos de passagem, como iniciação masculina e feminina, casamento, nascimento e morte.

Breve histórico de atuação da OPAN

O envolvimento da OPAN com os Myky data dos primeiros contatos com este povo por indigenistas da Operação Anchieta (MIA), em 1971. No entanto, os laços de parceria fortaleceram-se mais a partir do atendimento à saúde indígena, que a OPAN conduziu através de um convênio coma Fundação Nacional de Saúde (Funasa) de 2000 a 2011 e por meio do Projeto Kiwxi, que propunha ações integradas junto aos povos Myky, Manoki e Enawene Nawe. 

Assim, além da memória oral do grupo, muito das informações, materiais e alguns produtos foram gerados a partir de trabalhos e relações desenvolvidas em diversos contextos e intensificados desde fins da década de 90, como o da educação escolar, que passam a protagonizar através de seu projeto político pedagógico (assessorados pelo CIMI). Além disso, destacam-se os trabalhos com saúde indígena (assessorados pela OPAN) por meio da organização do controle social e formação de suas Agentes Indígenas de Saúde (AIS), a criação da Associação do Povo Myky e desenvolvimento de pequenos projetos, e do próprio processo de estudo e identificação dos limites da Terra Indígena Menkü, com dados de prospecção de campo e georeferenciamento realizados conjuntamente com o GT da Funai a partir de 2007. 

Desde 2011, o povo Myky participa do Projeto Berço das Águas, que apoia a elaboração de planos de gestão territorial indígena nas terras Manoki, Myky e Pirineus de Souza. O projeto é executado pela OPAN com patrocínio da Petrobras. Ele se baseia no apoio à gestão territorial indígena, visando o uso sustentável dos recursos naturais por meio da conservação dos ecossistemas e da valorização de práticas tradicionais.